Series: Conheça as Novas Panteras

Kristen Stewart, Ella Balinska e Naomi Scott em As Panteras

Em meio à onda hollywoodiana de reciclagem de velhos sucessos, o novo filme se prova uma grata surpresa

Em 2019, ano em que Hollywood segue vivendo as consequências do Me Too, assim como uma clara onda nostálgica, pela primeira vez o universo da Agência Townsend está nas mãos de uma mulher. Com roteiro e direção de Elizabeth Banks, o novo filme subverte alguns padrões da indústria, mas de modo algum abre mão do que é DNA da franquia. Em outras palavras, a sensualidade ainda está sim presente como uma arma nas missões das agentes, porém de forma mais inteligente: flertando mais com o feminismo e com o humor bobo de Banks.

Um misto de reboot e sequência, As Panteras apresenta novas protagonistas que, desde o princípio, são bastante habilidosas, cada qual no seu campo. Kristen Stewart é Sabina, a mais atrevida e engraçada do grupo; Ella Balinska é a ex-agente do MI6 Jane, certamente a mais forte no combate corpo a corpo; por fim, Naomi Scott é a caloura Elena, a funcionária de uma empresa de tecnologia que descobre que o inovador projeto de energia sustentável que estava tocando, na realidade, pode ser usado para fins violentos. Sob a liderança de Bosley (Banks) – agora um cargo na organização, e não somente um indivíduo -, elas tentarão impedir que esse protótipo caia nas mãos erradas.

Girl power definitivamente é a palavra de ordem da produção, até mesmo nas cenas de ação. São muitos os comentários em tom de piada que zombam do machismo dos adversários, enquanto elas, claro, descem a mão neles. Banks, inclusive, se permite estereotipar alguns personagens masculinos de forma escrachada para esse fim, trazendo mais uma camada cômica para uma história por si só leve e divertida. Entretanto, é a relação entre o trio que sustenta este pilar do filme.

Em meio à missão, cada agente aprende uma lição graças à companhia uma da outra. Jane, que começa o longa com uma atitude orgulhosa, entende que não precisa fazer tudo sozinha; há uma rede de apoio com a qual contar nos momentos difíceis. Tímida, Elena passa a ter mais confiança para falar o que pensa e realmente descobrir um novo lado de si mesma graças às novas amigas. Sabina talvez seja a personagem com a evolução menos perceptível, mas felizmente o carisma de Stewart dá conta de disfarçar essa lacuna. É verdade que a evolução da amizade do trio é por vezes é apressada e, por isso, o arco das personagens perde um pouco de força. Ainda assim, ver três personagens tão diferentes encontrando apoio umas nas outras e se permitindo chorar e se divertir é bastante agradável.

Contudo, nem sempre o feminismo é apresentado de forma orgânica na trama. Elizabeth Banks acaba jogando no seguro e se vale muito do discursivo para brincar com situações cotidianas, com as quais o público certamente se identificará. Como piada, esse recurso funciona. Mas, em um sentido mais amplo, dá um ar banal para o filme, como se fosse apenas mais um tentando surfar nesta “moda”.

Embora não seja brilhante, As Panteras é uma homenagem fofa e carismática à franquia, com direito a referências às produções anteriores e participações realmente especiais. Nesta fase em que Hollywood prefere a reciclagem a criar histórias originais, o filme se mostra uma grata surpresa, capaz de te deixar com um sorrisinho no rosto saindo do cinema.

As Panteras (2019)
Charlie’s Angels

ANO:2019

PAÍS:Estados Unidos

DURAÇÃO:118 min

DIREÇÃO:Elizabeth Banks

ROTEIRO:Elizabeth Banks

ELENCO:Naomi Scott, Ella Balinska, Kristen Stewart

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