Molécula é encontrada em fóssil de 110 milhões de anos de réptil voador na Chapada do Araripe, sul do Ceará

Por Valéria Alves e Rodrigo

Material genético de dinossauro é encontrado na Chapada do Araripe

Material genético de dinossauro é encontrado na Chapada do Araripe

Uma molécula biológica responsável pela pigmentação de seres vivos foi encontrada preservada em um fóssil de cerca de 110 milhões de anos na região do Araripe, região sul do Ceará. O fóssil é de um pterossauro, um tipo de réptil voador da “Era dos Dinossauros”.

Outros fósseis da mesma espécime já foram encontrados na Chapada do Araripe, mas, neste caso, a crista do animal foi preservada. A descoberta faz parte de um estudo publicado nesta segunda-feira (4), na revista científica Scientific Reports, do grupo Nature.

Artur Andrade, pesquisador do Escritório Regional do Departamento Nacional de Produção Mineral, explica que a descoberta faz parte “da continuidade de um trabalho que se vem fazendo em cima de uma placa calcária, que tem uma crista de um Tupandactylus”. Segundo o pesquisador, o material já serviu para outras pesquisas do campo: “esse já é o terceiro trabalho desenvolvido nessa placa”.

 Imagem do artigo mostrando os pontos amostrados no fóssil  — Foto: Divulgação/Scientific Reports

Imagem do artigo mostrando os pontos amostrados no fóssil — Foto: Divulgação/Scientific Reports

O fóssil em questão pertence a um Tupandactylus, um pterossauro voador de aproximadamente três metros de envergadura e uma crista alta na cabeça. Os pesquisadores comemoraram, principalmente, o bom estado de conservação do material: “parece que o pterossauro morreu ontem”, relatou Felipe Pinheiro.

O estudo foi financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Corpúsculos esféricos de réptil voador na Chapada do Araripe, sul do Ceará  — Foto: Reprodução/Scientific Reports Corpúsculos esféricos de réptil voador na Chapada do Araripe, sul do Ceará  — Foto: Reprodução/Scientific Reports

Corpúsculos esféricos de réptil voador na Chapada do Araripe, sul do Ceará — Foto: Reprodução/Scientific Reports

Chapada do Araripe

Artur Andrade explica que uma associação de fatores contribuíram para que a melanina fosse preservada dentro da crista do pterossauro.

“Isso dá uma importância maior e com certeza os olhos da pesquisa vão ser virados novamente para a bacia sedimentar do Araripe. Assim, a gente vai dar continuidade a ponto de saber quais são as cores realmente existentes nesses animais”, finaliza.

A Chapada do Araripe compõe um território importante para o campo paleontológico nacional. Segundo o pesquisador, a presença de cor também já foi observada em estudos com asas de insetos e em alguns tipos de borboletas realizados na bacia cearense.

“Isso reporta ao patamar significante da bacia no contexto paleontológico, tendo em vista as condições que favoreceram o processo de fossilização”, pontua.

*Sob supervisão de Valdir Almeida, do G1 CE

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