Da romantização do empreendedorismo ao real empoderamento feminino

Por Leidiane Brandão, Expert em Inovação*

Empreender empodera! É inegável a contribuição do desenvolvimento das competências empreendedoras sobre o empoderamento das mulheres. Pela via do empreender as mulheres são expostas à importante tarefa de tomadora de decisão. Tarefa essa, que foi historicamente limitada para as mulheres, não raramente, restrita às demandas domésticas. Mas para que haja um empoderamento verdadeiro, é importante considerar certos mitos relacionados ao empreender fantasiado, superando-os.

É preciso admitir a existência de uma ideia romantizada do empreendedorismo feminino, muitas vezes banalizando os desafios e obstáculos inerentes às demandas de se tocar um negócio, ainda que pequeno ou informal.

De modo análogo à ideia de maternidade romantizada, a qual vitimiza muitas famílias e colocam as mulheres em posição vulnerável, há a concepção romantizada do empreendedorismo feminino. Em ambos os casos a falha parece estar na falta de clareza sobre os desafios e obstáculos a serem superados, além da falta de concessão de instrumentos de apoio que viabilize o equilíbrio entre as demandas frequentemente envolvidas.

Um dos principais desafios para desmistificar a ideia romântica do empreender é evidenciar que as mulheres são as principais executoras de trabalho não pago, um trabalho extremamente importante na nossa sociedade, mas que carrega a triste combinação entre essencial, exaustivo e desvalorizado.

Para que as mulheres sejam verdadeiramente empoderadas elas precisam contar com uma rede de apoio para aliviar a carga de tarefas domésticas, permitindo equiparação de direitos em relação aos homens. Ao invés disto, é comum que as mulheres sejam exploradas à exaustão para dar conta de todos os compromissos que lhes são atribuídos. Não bastasse a cobrança social, há a autocobrança, frequentemente associada ao sentimento de culpa e frustração.

E como trilhar um caminho do empoderamento pleno pelo empreender? 

Tratar como aceitável que há certa romantização relacionada ao empreender feminino consiste em um bom começo, tendo em vista que é fundamental que haja o reconhecimento do problema, para então tratá-lo. Por fim, associar os incentivos com os suportes, amenizando a pressão social sobre o ser multitarefa, como frequente e perversamente é tratado o ser feminino.

É facilmente perceptível o brilho nos olhos que revelam o entusiasmo e o modo apaixonado com que empreendedoras de sucesso falam de seus negócios, isto inspira e influencia milhares de outras mulheres. Não há nada de errado com isto! Mas é importante tratar com muita clareza as superações, os obstáculos inerentes aos negócios próprios. A revelação destes detalhes, muitas vezes ocultos, empodera no sentido de tomadas de decisões mais consistentes desde os primeiros passos da jornada em carreira solo, sendo chefe de si mesma.

Continuando com a analogia à ideia de maternidade romantizada, talvez o problema esteja focado na parcialidade com que estes temas são tratados ou percebidos. Em ambos os casos o brilho do elemento “realização”, tão evidente e influente, contribuem para que os obstáculos sejam ofuscados, desconsiderando os pesos que precisam ser despidos.

A omissão dos obstáculos nem sempre é intencional, tem forte papel emocional, contribuindo para dar visibilidade aos ganhos em detrimento aos empecilhos. Mas apesar de louvável, a capacidade de superação não elimina os obstáculos e eles precisam ser revelados como forma de preparar o caminho, tanto no que diz respeito às competências técnicas, quanto competências comportamentais que precisam ser desenvolvidas.

A desconstrução do empreender idealizado pode ter aprendizados no mesmo sentido da desmistificação da maternidade romantizada: empoderando as mulheres com muita informação, proporcionando acessibilidade aos recursos de suporte e vencendo um dos principais desafios: a inclusão da família como reais apoiadores. É importante liberar as mulheres da sobrecarga física e mental  proveniente das atividades domésticas, que apesar de fundamental para o funcionamento da sociedade, é desvalorizado dentro dos núcleos familiares.

fonte:https://rme.net.br/

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