British Council: DF é referência em Inglês na rede pública

Unidades de Centro Interescolar de Línguas se destacam pela estrutura dos espaços, bons equipamentos e materiais e professores com alto nível de formação

“Inspiração”: professora Nathália Melo dá aulas no CIL de Sobradinho há quatro anos | Foto: Joel Rodrigues / Agência Brasília

Uma pesquisa britânica apontou o Distrito Federal como um dos destaques no ensino da língua inglesa entre as escolas públicas brasileiras. A análise inédita é do British Council, órgão público do Reino Unido para educação e cultura. Segundo o levantamento lançado neste mês e denominado Estudo de Políticas Públicas para o Ensino do Inglês, o DF alcançou 13 dos 21 pontos possíveis na avaliação de fatores considerados essenciais para o desenvolvimento do idioma na rede pública.

As unidades de Centro Interescolar de Línguas (CIL) ganharam notoriedade na avaliação. Fatores como estrutura dos espaços, salas de aula limitadas (cerca de 25 alunos por turma), bons equipamentos e materiais adequados foram fundamentais para o desempenho de excelência.

Mas há outros fatores levados em consideração. Estímulo ao uso social da língua, presença de professores habilitados, promoção de formação específica para os docentes, oferta de programas em contraturno e criação de espaços de estudo especializados também são exemplos. Nesse contexto, o Distrito Federal foi citado como referência na oferta de centros de estudos complementares. Além disso, é um dos poucos entes da Federação cujo ensino da língua é focado na prática social – ou seja, mais ênfase em seu uso efetivo, nas circunstâncias de cotidiano, sem jamais deixar de lado a gramática.

Com ensino público gratuito, os CIL possibilitam que estudantes sem condições financeiras de pagar por um curso particular tenham conhecimento e até fluência de língua inglesa. Algumas unidades também oferecem outros idiomas, como espanhol, francês, japonês, alemão e chinês. Apenas o inglês é ofertado em todas.

Fluência

Giovanna Almeida Farias, 18 anos, é um exemplo. Estudante do CIL de Sobradinho, ela cursa língua inglesa desde os 12 anos e já fez vários módulos do ensino. “Se não fosse o CIL, não teria como fazer um curso de idiomas. É uma grande oportunidade para quem não tem condições de pagar pelas aulas. E aqui os professores são maravilhosos, atenciosos e têm uma excelente didática. Adoro a maneira como ensinam, é perfeito! Minha pronúncia melhora cada vez mais”, frisa a estudante.

A escola está me oferecendo um conhecimento necessário para o vestibular e para a vidaGiovanna Almeida, aluna do CIL de Sobradinho

A estudante já é quase fluente na língua inglesa e já pensa em cursar uma segunda língua na unidade, o francês. “Já consigo me virar. Se viajar ou morar em um país de língua inglesa não passo aperto. Sei explicar de onde venho e falar da minha cultura. Em termos de professor ensinar, já aprendi tudo que podiam me oferecer. Mas quero continuar estudando aqui. Tenho certeza que é vai me ajudar tanto para ingressar em uma faculdade como no mercado de trabalho, cada vez mais exigente”, vislumbra Giovanna.

“Se eu fosse atribuir uma nota para o ensino do CIL, daria 10. As salas são confortáveis, têm ar condicionado, ótimas cadeiras. A estrutura é maravilhosa, o ambiente é seguro e tem uma excelente organização administrativa”, acrescenta a estudante.

Há seis anos aprendendo inglês, Giovanna já pensa em outro curso de idioma no CIL | Foto: Joel Rodrigues / Agência Brasília

Qualidade de ensino

O segredo para a qualidade do ensino são professores qualificados e que ensinam com amor, conta a professora de língua inglesa Nathália Melo. No Centro Interescolar de Línguas de Sobradinho há quatro anos, ela avalia que o grande diferencial é a formação continuada dos professores. “Sempre nos reunimos para discutir questões relativas ao ensino e à aprendizagem dos alunos. Muitos professores já têm mestrado, e isso nos inspira a estarmos sempre nos qualificando.”

Outra diferença das unidades, aponta a professora, “é lidar com a língua como aquisição, o que possibilita falar em qualquer situação”. Nas atividades, continua Nathália, aulas de conversação, leitura, compreensão auditiva e produção escrita reforçam o aprendizado dos alunos. “Entendemos que cada estudante tem seu tempo de aprendizado. Por isso estamos sempre reorganizando os grupos nas escolas, fazendo atividades mais específicas para os que têm mais dificuldades”, explica.

Para ser fluente, ainda segundo Nathália, é preciso uma média de seis anos de curso. “Mas temos alunos com dois anos de estudo que já o são. Sinto-me feliz quando vejo os resultados, quando escutamos as histórias deles depois de saírem da escola. Tentando bolsas fora, fazendo intercâmbios… Essa é a recompensa do nosso trabalho”, finaliza.

Continuidade de modelo

Coordenador pedagógico dos CIL, Juscelino San’Ana destaca que o caráter de continuidade da política de ensino passa por ciclos de desenvolvimento pedagógicos, o que propicia uma maneira própria de ensinar. Para o educador, são quatro os principais fatores dos bons resultados dos Centros Interescolares de Línguas.

Um deles é a estrutura e o modelo funcionamento das escolas, que possuem carga horária mais adequada para o ensino de línguas. São duas aulas semanais de 100 minutos, uma média de 40 por semestre. “O que ajudar a manter o aluno em ritmo na língua”, pontua o educador.

45 mil vagassão ofertadas pelos 17 CIL no DF

Ele faz menção também ao número limitado de alunos por turma – até 20, no máximo –, o que possibilita ao professor acompanhar de maneira mais próxima, individualmente, o desenvolvimento de cada estudante. Juscelino também cita como ponto forte dos centros a formação dos professores – todos graduados: mais de 200 com especialização, mais de 50 com mestrado e oito com doutorado.

Por fim, arremata o coordenador, também faz diferença a experimentação, ou seja, o ensino da língua sem se limitar ao conteúdo gramatical, com mais ênfase na prática da linguagem.

As unidades

São 17 unidades em várias regiões administrativas (confira aqui a lista dos CIL do DF). A primeira delas foi fundada há 44 anos, na Asa Sul.

Juntas, as unidades oferecem mais de 45 mil vagas anualmente, número que corresponde, aproximadamente, a 21% das matrículas da rede pública de ensino. Os CIL contam com quase 500 professores de diversos idiomas, 304 dos quais exclusivos para o ensino da língua inglesa.

O estudo

A publicação do British Council é a primeira a apurar de forma abrangente como os estados brasileiros estão criando bases para ensino e aprendizagem obrigatória do inglês. O diagnóstico tem como objetivo jogar luz sobre políticas públicas desenvolvidas localmente. Os dados quantitativos foram coletados a partir dos Censos Escolares de 2015 a 2017, produzidos pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), do Ministério da Educação.

A única recomendação feita ao DF está relacionada à proporção entre o número de professores e o de alunos matriculados – são 46.701 alunos no total, 29.442 na disciplina do inglês. Mas esse fator, segundo a subsecretária de Gestão de Pessoas da Secretaria de Educação, Kelly Bueno, não preocupa.

“Temos professores suficientes para nossas demandas. E, no DF, temos a contratação temporária de professores substitutos, para quando um professor se afasta por algum motivo legal – seja por licença médica, em razão de estudos ou para acompanhar cônjuge, dentre outros”, defende Kelly.

Inscrições abertas

Estudantes da rede pública interessados em estudar línguas estrangeiras no contraturno das aulas regulares podem se inscrever para concorrer a uma vaga nos Centros Interescolares de Línguas. Para o 1º semestre de 2020, as inscrições poderão ser feitas de 22 de novembro a 15 de dezembro, no site da Secretaria de Educação, em link que ainda será divulgado ainda nesta sexta-feira (22), a partir da 14h.

As línguas oferecidas serão inglês, francês, japonês e espanhol. Neste primeiro momento, apenas estudantes matriculados na rede pública de ensino do DF poderão se inscrever para o ano letivo de 2020, de acordo com a escolaridade do candidato. Cada um poderá se inscrever em até quatro opções de língua estrangeira, conforme a oferta disponibilizada. É importante ressaltar que os estudantes somente poderão se inscrever no turno contrário ao da matrícula na unidade escolar de origem.

A seleção é realizada por meio de sorteio eletrônico, que será realizado nos dias 16 e 17 de janeiro de 2020. O resultado da primeira chamada será divulgado em 20 de janeiro. A consulta é de inteira responsabilidade do candidato. A efetivação das matrículas dos estudantes sorteados nessa etapa deverá ser feita entre os dias 21 e 24 de janeiro de 2020, no CIL em que o aluno foi contemplado com a vaga.

A segunda chamada será no dia 31 de janeiro. A efetivação das matrículas para os estudantes contemplados nessa etapa deverá ser feita nos dias 3, 4 e 5 de fevereiro.

Vagas remanescentes

As inscrições para as vagas remanescentes destinadas à comunidade em geral deverão ser realizadas entre os dias 7 e 10 de fevereiro de 2020, no site da Secretaria de Educação. O sorteio eletrônico será no dia 11 de fevereiro, como previsão de divulgação do resultado no mesmo dia.

As matrículas deverão ser efetivadas nos dias 12 e 13 de fevereiro, no CIL em que a pessoa for contemplada com a vaga.

Em 2020, com a vigência da nova Base Nacional Curricular Comum, será obrigatório o ensino de inglês na grade curricular a partir do Ensino Fundamental II.

* Com informações da Secretaria de Educação

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